FONTE ODIAONLINE
Fenômeno raro provocou uma chuva que, em apenas cinco horas, foi superior a de todo o mês de março de 2009
Rio - A destruição que atingiu o Rio de Janeiro no sábado foi provocado pela passagem de um ciclone extratropical sobre parte do estado. O fenômeno raro foi observado por meteorologistas do Climatempo. Em apenas 24 horas choveu 93,3 milímetros, próximo à média de 117 milímetros registrada durante todo o mês de março do ano passado. O mais alto índice pluviométrico ontem ocorreu no Riocentro: 126,8 milímetros em cinco horas. É o maior temporal dos últimos 16 anos
Os ciclones são comuns no mar. O problema é que desta vez ele chegou ao continente com muita intensidade causando estragos”, explicou o meteorologista Paulo Matsuo. Segundo ele, a tempestade já saiu do Rio e seguiu para o litoral de Santa Catarina. Hoje o sol aparece com chuva à tarde.
Os transtornos provocados pelo temporal começaram na tarde de sábado e duraram todo o dia de ontem. Os primeiros problemas foram ruas alagadas, rios transbordados, casas invadidas pela água e engarrafamentos. Quem voltava para casa chegou na madrugada. A Linha 2 do Metrô foi paralisada por mais de três horas pela queda de árvores.
A Defesa Civil recebeu 169 chamados. Na Av. Brasil e na Lapa bolsões de água tomaram conta das vias. A Rodovia Amaral Peixoto, que liga o Rio à Região dos Lagos, foi interditada nos dois sentidos devido à ameaça de desabamento de passarela de pedestres, na divisa de Niterói e São Gonçalo. Na Av. Niemeyer, queda de árvore fechou a pista.
As águas dos rios Maracanã e Acari e do canal da Presidente Vargas invadiram as pistas. Na Zona Sul, o transtorno maior foi na Lagoa e Jardim Botânico. A água cobriu os carros. A chuva deixou às escuras diversos bairros e espalhou lixo por todas as regiões. Em Santa Teresa, uma jaqueira despencou e uma caixa d’água desmoronou, atingindo os fundos de um dos prédios do condomínio e invadindo apartamentos. Na Praia de Copacabana, formou-se língua negra de esgoto.
Alternativas para não correr riscos
Em visita à comunidade onde morreram duas pessoas no Rio Comprido, o prefeito Eduardo Paes anunciou que todas as vítimas serão incluídas no programa Aluguel Social, da Secretaria Municipal de Habitação, que oferece ajuda de R$ 250 por mês para pagar despesas de moradia. Paes também pediu que todos os cariocas que vivem em áreas de risco deixem suas residências.
Quem puder que vá para a casa de um parente ou amigo. Aqueles que não tiverem para onde ir, poderão ser encaminhados para nossos abrigos. O que não pode é ficar exposto ao risco de se tornar mais uma vítima”.
O pedido foi reforçado pelo coordenador da Defesa Civil Municipal, coronel Sérgio Simões. Segundo ele, as encostas são vulneráveis se submetidas a uma quantidade grande de chuva concentrada, especialmente, onde a ocupação é feita de forma desordenada e as construções feitas sem consulta técnica. “A recomendação que a gente faz é que, nesses dias de chuva forte ou continuada, os moradores que residem próximo às encostas, saiam de suas residências. Especialmente à noite, quando estão mais indefesas”, diz Simões.
As fortes chuvas deixaram, no total, cinco famílias desabrigadas e 35 desalojadas no município do Rio.
Reportagens de Alessandra Horto, Camilla Gabriella, Francisco Édson Alves, Maria Luísa Barros, Mahomed Saigg e Vania Cunha

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